Profª. Adriana Calvo - Direito do Trabalho
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Assédio moral no local de trabalho
Assédio moral é crime e chefias assim devem ser responsabilizadas. Mas as empresas omissas são corresponsáveis, uma vez que toleram chefes despreparados.
06/12/2010
Arquivo Notícias
Têm crescido no Brasil, de forma preocupante, os casos de assédio moral no ambiente de trabalho. Alguns empregados vem batendo às portas dos tribunais em busca de ressarcimento por danos causados à sua honra e dignidade enquanto pessoa humana que, no exercício de suas atribuições profissionais, foi desrespeitada.

Assédio moral tem, amiúde, origem no despreparo de alguns chefes que não conhecem nada sobre os princípios universais de liderança –e por isso adotam posicionamentos contrários à convivência produtiva no contexto organizacional com aqueles que atuam sob sua direta supervisão. Trabalhar em ambientes assim é sempre um grande risco para a
saúde emocional de todos.

"Quando alguém teme a outrem – já dizia o pensador Hermann Hesse –, começa a conceder-lhe o poder sobre si mesmo". Infelizmente, ainda é grande o número
das empresas que não compreenderam a importância de investir na capacitação de seus diretores, gerentes e supervisores para exercer a liderança por meio de técnicas ssertivas, que agreguem valor às relações humanas, eliminando interfaces e clima organizacional que possam gerar "medo dos chefes".

Nas modernas organizações não pode mais haver espaços para chefias despreparadas, porque um ato fora de foco pode ser objetivamente caracterizado como ofensivo à honra do trabalhador, suscitar demandas judiciais e arranhar indelevelmente a imagem da empresa – seu patrimônio maior – no mercado.
Mas afinal, o que é assédio moral? O que caracterizaria assédio moral em determinado ambiente de trabalho?

Em linhas gerais (o assunto é complexo e controverso), assédio moral ocorre quando, no contexto empresarial (na empresa pública ou privada), alguém que ocupe cargo em nível de chefia (qualquer grau na hierarquia de comando) procura se impor diariamente pelo exercício do poder que o cargo lhe confere – mas usando de artifícios para ridicularizar os subordinados; obrigá-los, sob ameaças abertas ou veladas, a exercer funções e tarefas estranhas ao perfil do cargo para o qual foram contratados; passar ordens aos berros, visando à intimidação; humilhar os subordinados, a sós ou na presença de terceiros; fazer proselitismo religioso (tentar "converter" o outro à força para aceitar a crença que se professa); insinuar dubiedades sobre as competências dos subordinados; ironizar suas opiniões; diminuir a importância de suas realizações; fixar metas irreais e pressioná-los para cumpri-las; espinafrar aqueles que não conseguiram atingir as metas da empresa; utilizar-se de palavras chulas ao dirigir-se aos subordinados; tratar alguém por apelidos depreciativos; fomentar a intriga interna; fazer deliberada acepção de colaborador na hora de delegar certas atribuições e contribuir, direta ou indiretamente, para impedir a ascensão profissional desse ou daquele subordinado dentro da organização.

Existem cinco características distintas, mas que não são necessariamente excludentes – às vezes até insidiosamente complementares – de assédio moral no contexto de uma dada empresa. São elas:

1) Assédio moral direto: quando a origem é facilmente identificada na figura de um chefe truculento;

2) Assédio moral difuso: quando a ambiência organizacional (o clima psicológico existente no ambiente físico de trabalho) já é por si mesmo opressiva, onde as exigências, "vindas de cima" – não se sabe extamente de quem – são continuamente tensas, às vezes aterrorizantes, tornando a vida dos trabalhadores um verdadeiro martírio. Grosso modo, é como se, a qualquer momento nessas 8 horas diárias de trabalho, "uma bomba fosse explodir";

3) Assédio moral "compensatório": a empresa se orgulha de "pagar bons salários"; logo, a alma do empregado "pertence" a ela. O indivíduo, como pessoa, é anulado em ambientes assim;

4) Assédio moral de encurralamento: como numa dada localidade não existem outras oportunidades de trabalho, o empregado é "lembrado" diariamente, numa espécie de "tortura chinesa", de que a empresa está lhe fazendo um grande "favor" em mantê-lo sob contrato, até porque – como alguns chefes "terroristas" argumentam –
"lá fora tem uma fila de gente querendo o seu lugar";

5) Assédio moral adulatório: quando a chefia precisa dos préstimos do subordinado para uma tarefa específica, e então, de repente , ele se torna super simpático, até insinuando um bônus salarial ou uma futura promoção. Depois de conseguir o seu intento, as promessas são esquecidas e ele volta a ser o que sempre foi: um chefe déspota e manipulador.
Assédio moral é CRIME. Chefias tirânicas que se comportam dessa maneira, ou chefias ácidas, sardônicas , e que depois dizem : "É só brincadeira!", devem ser responsabilizadas judicialmente por seus atos ou "brincadeiras" estúpidas. E empresas omissas são corresponsáveis: como toleram a existência de chefias tão despreparadas? Desenvolver novas habilidades de chefia e liderança e fomentar a convivência que estimule o crescimento pessoal e profissional de todos os trabalhadores são o melhor antídoto contra a manifestação do assédio moral – e a marca de uma boa administração de recursos humanos.

Luiz Oliveira Rios é orientador de estratégias empresariais
oliveira.rios@hotmail.com
Fonte: Diario do Comércio
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